Issue Home Mag Home

ENTRAR NA ESFERA DE ANIMALIDADE:
Entrevista a Maria Esther Maciel

Carolina Beltrán e David Ramírez




O interesse nos estudos animais tem crescido nos últimos anos na academia latino-americana. É um campo que emergiu das academias inglesa e americana mas, nas últimas décadas, tem ultrapassado estes espaços e agora é uma área que possui abordagens diversas e dinâmicas, focos regionais e questões críticas. Nesta edição de Párrafo, tivemos a oportunidade de conversar com uma pioneira neste campo na América Latina, Maria Esther Maciel.

1. Os temas que têm guiado o seu trabalho acadêmico e criativo são diversos. Você já tem uma larga produçao sobre poesia, cinema, artes plásticas e teoria literária. Também publicou dois romances e dois livros de poesia. Em meio a uma lista de inquietudes tão ampla, como surgiu seu interesse nos animais como tema de reflexão? Poderia compartilhar conosco algo sobre sua relação pessoal com os animais?

Antes de iniciar meus estudos sobre animais na literatura, esse tema já me instigava havia muito tempo. Eu só esperava o momento propício para convertê-lo em um objeto de pesquisa e escrita. E esse momento chegou quando, ao conduzir uma pesquisa sobre inventários, coleções e enciclopédias na literatura e nas artes, fui parar nas antigas enciclopédias da natureza e nos bestiários medievais. Ler A história dos animais, de Aristóteles, as passagens zoológicas da História Natural de Plinio, o Velho, as Etimologias, de Santo Isidoro de Sevilha, e o Manual de zoologia fantástica, de Borges, foi minha via de acesso (ou de volta) ao universo zoo. Se, numa primeira instância, detive-me nas coleções de animais existentes e fantásticos desses autores, passando pelos catálogos descritivos e ilustrados da era medieval, até chegar a alguns outros escritores do século 20, num segundo momento meu olhar passou a se concentrar em diferentes registros literários e culturais desse universo, que não apenas o das coleções e catálogos. O que me levou a uma reflexão mais ampla e transdisciplinar sobre a questão do animal, da animalidade e dos limites do humano.
Digo que não há como dissociar da minha história particular esse interesse acadêmico (e literário) pela questão. Isso porque, desde a infância, cultivei um grande amor pelos animais e me interessei por eles enquanto seres sensíveis, inteligentes e dotados de saberes sobre o mundo. Eu morava no interior de Minas e frequentava, com assiduidade, a pequena fazenda de meu pai. Os bichos eram, nessa época, queridos amigos com quem eu conversava, brincava e aprendia muitas coisas. Adorava ir para o curral e ficar no meio das vacas; sabia os nomes de todas elas e conhecia seus hábitos e temperamentos. Convivi muito também com cavalos, cães, galinhas, patos, coelhos, gatos e joaninhas. Em relação aos porcos, o contato foi menos próximo, pelo menos até eu adotar um porquinho que andava solto pelo terreiro da casa. Acho que foi o animal mais afetuoso que conheci até hoje, e um dos mais inteligentes.
Assim, ao propor, em torno de 2008, o desdobramento do estudo das “zoocoleções” numa pesquisa mais abrangente sobre os animais na literatura de diferentes contextos, pude também desdobrar o meu afeto por esses outros não humanos. Contribuiu também para esse trabalho de reflexão a convivência de 15 anos com minha cachorra Lalinha, com quem aprendi muitíssimo sobre a sensibilidade e a inteligência dos animais, graças à nossa relação de muito afeto e cumplicidade.

2. Você chamou as suas investigações nessa área como “zooliteratura”. No que consiste este campo de estudo e de que maneira contribui para ampliar nossa compreensão tanto dos animais como da literatura?

Uso a palavra “zooliteratura” para designar o conjunto de diferentes práticas literárias ou de obras que privilegiam o enfoque de animais. Considero-a uma designação alternativa ao termo “bestiário” –o qual busco usar apenas no seu sentido específico de coleção/catálogo de animais reais e fantásticos, ou seja, enquanto um gênero literário oriundo dos bestiários medievais. Penso que o termo bestiário, fora desses limites, tende a reforçar a ideia negativa de animal como “besta”, haja vista a pesada carga simbólica que lhe foi conferida pela tradição judaico-cristã ao longo dos tempos. Já o termo “zoopoética”, usado por Derrida para designar o conjunto de textos de Kafka que tratam de animais, tem aparecido em minhas reflexões para designar tanto o estudo teórico de obras literárias e estéticas sobre animais, quanto a produção poética específica de um autor, voltada para esse universo “zoológico”. As diferenças e semelhanças entre zooliteratura e zoopoética seriam, portanto, as mesmas entre literatura e poética, mas acrescidas do valor semântico do prefixo zoo.
Creio que a zooliteratura é um campo de estudos que possibilita uma compreensão dos animais também pelo viés dos sentidos e da imaginação. Graças aos exercícios ficcionais dos narradores e poetas, atravessamos as fronteiras entre as espécies e temos acesso à outra margem, a dos animais não humanos, num encontro também com a animalidade que nos habita, que está dentro de nós. A literatura, dessa forma, afirma não apenas sua potencialidade de provocar atos internos em nós, leitores, como também nos ensina a lidar, por vias criativas, com as alteridades radicais.

3. O reconhecimento institucional que Animal Studies alcançaram nos Estados Unidos –dos quais a zooliteratura faria parte– ainda encontra resistências no interior da academia. Isso também ocorre no Brasil? Se sim, como você pode explicar essa resistência?

Acredito que esse campo transdisciplinar chamado de Animal Studies tem, aos poucos, ganhado espaço nos meios acadêmicos do mundo inteiro. A resistência ainda perdura, com certeza, mas já percebo uma maior flexibilidade por parte de muitos setores da academia. A época em que vivemos – marcada por catástrofes ambientais, descobertas impressionantes na área dos estudos de comportamento e habilidades animais, de descrédito na supremacia da espécie humana e emergência de teorias “pós-humanistas”, entre outros acontecimentos – tem contribuído para uma maior tomada de consciência das questões pertinentes à situação dos seres não humanos e à nossa controversa relação com eles ao longo dos tempos. Isso tem possibilitado, a meu ver, uma aceitação maior e o crescimento desse campo de estudos. Mesmo algumas pessoas que se mostravam resistentes (e críticas) a essa abordagem já estão orientando trabalhos e incluindo a questão em seus cursos. Tenho percebido isso, particularmente, na área de Estudos Literários da UFMG.

4. Você foi pioneira deste tipo de estudos no Brasil e América Latina. Existe uma rede de investigadores, publicações, revistas e grupos de investigação trabalhando nesta direção? Poderia mencionar os mais relevantes?

No Brasil, cresce cada vez mais o interesse por esse tipo de estudos. Já existem grupos de pesquisa em algumas universidades do país, além de vários pesquisadores independentes que, em diferentes regiões, têm se dedicado ao tema da animalidade e dos limites do humano. Algumas dessas pesquisas e publicações inserem-se na área da ecocrítica –que vem se expandindo em vários estados. Outros enfoques, mais voltados para a biopolítica e a bioética, já podem ser mapeados em centros acadêmicos do Brasil inteiro. A abordagem da questão da animalidade a partir dos cruzamentos entre filosofia, poética e antropologia também está presente no cenário acadêmico atual.
Na USP, por exemplo, existe um grupo de pesquisa responsável pelo ciclo Humanos e Animais: Os Limites da Humanidade, que promove encontros para discutir as relações entre humanos e não humanos, a partir de uma perspectiva transdisciplinar. Na Universidade Estadual de Londrina há também um grupo de estudos dentro desse campo, assim como há pesquisadores de peso em centros acadêmicos de Santa Catarina e do Mato Grosso. Para não mencionar a UFMG, é claro.
Números especiais de revistas acadêmicas, voltados para a questão dos animais, vêm sendo publicados. Na UFMG, já saíram pelo menos três: dois na Faculdade de Letras e um na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas –este dedicado ao cinema. No Paraná, a revista do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade de Londrina está lançando um número dedicado aos estudos an imais. Em Belém do Pará existe uma revista literária que lançou um dossiê sobre “Literatura Selvagem”, no qual estão incluídos textos sobre o tema.
No âmbito da América Latina, os grupos acadêmicos e as publicações parecem se expandir enormemente nos últimos anos. Estou ligada a um da Argentina, que explora um viés mais biopolítico no trato da questão animal e dos limites do humano. Fizemos, em parceria, algumas atividades. Os pesquisadores argentinos (alguns radicados nos EUA e na Europa) integraram, inclusive, o livro Pensar/escrever o animal, que organizei em 2011. Entre eles, menciono Gabriel Giorgi, professor argentino na Universidade de Nova York, que acaba de publicar no Brasil o livro Formas Comuns – literatura, animalidade e biopolítica. Outro grupo está na Universidade Nacional de la Plata, Argentina. Lá é publicada a Revista Latinoamericana de Estudios Críticos Animales, que integra pesquisadores de diversos países. Muitos latino-americanos vinculados a instituições americanas também têm atuado nessa área e editado livros e revistas centrados na temática animal. Enfim, imagino que haja vários outros grupos disseminados no nosso continente.
Não se pode ignorar também a existência de pesquisadores independentes que não se vinculam a nenhum núcleo ou centro de estudos. Conheço vários que atuam em universidades da Bahia, do Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Sul.
Não coordeno, propriamente, nenhum grupo na UFMG. Iniciei meus estudos sobre animalidade motivada por uma inquietação particular e, só depois de participar do primeiro congresso do Minding Animals International, na Austrália, no início de 2009, foi que me inteirei desse novo campo de estudos chamado Animal Studies. Aí pude ter uma real dimensão do que se tratava e passei a interagir com os centros de estudos de animalidade de outros países. E sempre contei com a preciosa colaboração, no âmbito da UFMG, de colegas e alunos interessados, o que possibilitou a organização de eventos e a edição de dossiês sobre a temática.

5. Além de ter escrito diversos artigos nesta área, você editou o livro Pensar / Escrever o Animal: Ensaios de Zoopoética e Biopolítica (2011) e há pouco tempo publicou o livro Literatura e Animalidade. Quais perguntas e autores guiaram sua investigação durante estes anos?

Desde que passei a investigar a questão animal na literatura sob uma perspectiva mais ampla, as perguntas que me guiaram foi muitas, visto que foram se desdobrando ao longo do tempo. Entre elas, destaco as seguintes: como alguns escritores modernos e contemporâneos lidam com a alteridade animal em suas obras, bem como com a noção de humano? Em que medida as discussões bioéticas, biopolíticas e ecológicas do nosso tempo incidem na abordagem literária desses temas? O que definiria o conceito de animalidade? Como os poetas capturam pelas palavras a subjetividade animal? Até que ponto é possível escrever o animal?
Tenho tentado rastrear tais questões em diferentes autores brasileiros e estrangeiros, como Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Wilson Bueno, Astrid Cabral, Nuno Ramos, John Coetzee, Ted Hugues, Jacques Roubaud, Patricia Highsmith, Marianne Moore, Eva Hornung, Juan José Arreola, Augusto Monterroso e diversos poetas contemporâneos de língua portuguesa. Esse repertório só aumenta a cada momento, a cada descoberta.

6. Quais temas você explora em Literatura e Animalidade? Como este livro se relaciona com sua produção anterior?

Nesse livro, busquei incorporar e desdobrar reflexões feitas nos artigos que escrevi nos últimos anos sobre zooliteratura e publiquei esparsamente em revistas e livros coletivos. O volume contém, além de um prólogo em que contextualizo a questão do animal na literatura ocidental, três partes: “Pensar o animal”, em que percorro as ideias de Montaigne e Derrida sobre os animais e os limites do humano; “Narrativas da animalidade”, em que abordo a obra de J.M. Coetzee e diversas narrativas de escritores modernos brasileiros, e “Animais poéticos, poesia animal”, seção voltada para as inscrições da animalidade na poesia, em que trato de alguns poetas modernos e contemporâneos, de diferentes nacionalidades. O livro inclui ainda uma entrevista que fiz com o filósofo e etólogo francês Dominique Lestel, autor de quase uma dezena de livros sobre a questão dos animais no mundo contemporâneo e a noção de animalidade.
Creio que esse volume encerra mais uma etapa da minha pesquisa e abre terreno para que eu passe a me deter, a partir de agora, nas manifestações radicais da animalidade no humano, via os devires, metamorfoses e outros tipos de trespassamento de fronteiras entre as espécies. Para tanto, tenho me detido ultimamente na obra de Eduardo Viveiros de Castro sobre o perspectivismo ameríndio e iniciado um estudo do xamanismo, tal como este foi problematizado pelo antropólogo brasileiro e por outros estudiosos estrangeiros. Estou entusiasmada com esse desdobramento da investigação, o qual poderá também incidir de maneira ainda imprevista na minha vida acadêmico-literária.

7. Existe alguma conexão entre sua experiência como poeta e narradora e suas reflexões sobre as possibilidades e os limites da linguagem para tratar do animal?

Sim. Meu trabalho acadêmico nunca se desvinculou de meu trabalho como escritora. Mesmo antes de iniciar minha pesquisa sobre animalidade, comecei a escrever alguns contos sobre animais. No meu primeiro livro ficção, O livro de Zenóbia (2004), a protagonista é uma bióloga de formação, especialista em orquídeas e serpentes, que vive numa chácara na companhia de cães, gatos e cabras. Em várias passagens, aparecem pequenas histórias e descrições desses bichos. Posteriormente, já ao começar meus estudos acadêmicos sobre o tema, publiquei O livro dos nomes (2008), no qual incluí alguns personagens animais -um papagaio, um cavalo e um cachorro. No caso do personagem canino, trata-se de Xavier (nome com que intitulo o capítulo), um vira-lata adotado, que assiste ao suicídio do dono. Já no meu livro de crônicas, A vida ao redor (2014), incluí uma seção, “A vida dos outros”, toda composta de textos sobre a situação dos animais no mundo contemporâneo. No momento, estou às voltas com uma nova narrativa “canina”. Minha experiência nesse território criativo só reforça minha suposição de que entrar na esfera da animalidade é um exercício, sobretudo, de imaginação. Só por essa via é possível escrever o animal, convertê-lo em linguagem verbal, que é um construto humano. Nossa razão não é suficientemente poderosa para nos levar aos meandros da subjetividade e das linguagens não humanas.

8. Tendo como finalidade evitar que os animais sejam reduzidos a representações androcêntricas, alguns investigadores como Kenneth Shapiro e Marion W. Copeland propuseram a criação de certas orientações que regem a avaliação crítica da literatura que trata dos animais. Como escritora de ficção, o que você pensa sobre esta proposta? Considera que existem maneiras “equivocadas” de escrever sobre animais?

Não concordo com esse tipo de proposta ideológica para a literatura. Aos escritores têm a liberdade de escrever o que quiserem, da maneira como quiserem. Que eles sejam, depois, avaliados criticamente pelo que escreveram, mas não “orientados” a escrever segundo princípios ideológicos determinados. Aliás, sempre tive apreço pela literatura que explora outras maneiras de atuação no fluxo político e social das coisas do mundo que não necessariamente a do engajamento doutrinário. A literatura tem a potencialidade de atuar não apenas na instância das ideias, mas também na esfera da sensibilidade. J.M. Coetzee, por exemplo, é um autor que matiza, põe em discussão, nos seus romances, muitas questões político-sociais, inclusive as pertinentes às relações entre humanos e não humanos, fazendo isso por um viés paradoxal, por vezes controverso, sem dicotomias nem doutrinação. No Brasil, um escritor (bastante diferente de Coetzee) que muito fez pela causa animal, sem amarras ideológicas, foi Guimarães Rosa, considerado o maior animalista das letras brasileiras. Ele nos ensina muito sobre animais de várias espécies, bem como sobre as diferentes (e mesmo imprevistas) possibilidades de se lidar com eles na literatura. Nesse sentido, é um mestre em tocar seus leitores pela sensibilidade, pela inventividade nos trânsitos que faz entre os mundos humano e não humano. Por meio desses recursos, não deixa de ter uma posição crítica em relação a aspectos éticos, políticos e sociais da realidade.

9. Em termos pedagógicos, como tem sido a sua experiência de dar aulas sobre estudos animais? Quais são as vantagens e os desafios de levar estas discussões à sala de aula?

Tem sido uma tarefa muito gratificante. Percebo nos alunos um crescente entusiasmo pela temática, bem como uma progressiva abertura às recentes teorias em torno dessa área de estudos. Alguns deles, inclusive, decidiram realizar trabalhos de pesquisa sobre animais na literatura, na graduação e na pós-graduação. Orientei e supervisionei vários até agora. Digo também que, a cada curso que ofereço, mais coisas aprendo com meus alunos. Eles têm sido bastante importantes para o avanço de minhas reflexões, seja pelos questionamentos que fazem, seja pelas contribuições literárias que dão.
Creio que o maior desafio de levar essas discussões à sala de aula é desconstruir o pensamento hegemônico (sedimentado ao longo dos séculos) em torno da hierarquia das espécies e da condição dos animais não humanos na nossa sociedade. O que geralmente acontece nas primeiras aulas. Mas, aos poucos, graças aos narradores, poetas e filósofos, esse primeiro sobressalto acaba por se transformar em um vivo interesse por outras maneiras de lidar com o animal e a animalidade que nos habita.

10. Finalmente, em sua opinião, qual seria a principal contribuição de reflexão crítica e criativa sobre os animais para a compreensão da sociedade brasileira contemporânea?

Numa perspectiva mais ampla, creio que essa reflexão crítico-criativa nos possibilita um entendimento mais matizado da noção de vida, levando-nos a uma tomada de consciência dos problemas éticos que envolvem a nossa relação com as alteridades não humanas e à reconfiguração do próprio conceito de humanidade. Por extensão, pode nos conduzir também –direta ou obliquamente– a um espaço de reflexão crítica sobre o estado precário das florestas e dos rios brasileiros, a dizimação dos índios e a invasão de suas terras, a violência legitimada contra humanos e não humanos em nome do progresso econômico, o envenenamento progressivo da população com agrotóxicos e alimentos geneticamente modificados, o tratamento cruel dispensado aos animais nas granjas e fazendas industriais do país, entre muitos outros problemas que vêm convertendo o Brasil numa terra devastada. São reflexões, creio eu, que advêm naturalmente à medida que temos contato, pela via da sensibilidade, da imaginação e da consciência, com textos críticos e criativos (não necessariamente vinculados a um ativismo de cunho ideológico) sobre animais. Como eu já disse, aposto mais no poder da literatura que provoca atos internos no leitor, que revira nossas certezas, sem precisar do uso de doutrinas. Isso não impede, contudo, que enquanto sujeitos civis, os autores assumam qualquer tipo de militância em prol dos animais na sociedade em que vivemos.