Parrafo magazine

ROSÁLIA
PART II

Diego Jesus

Antes da meia-noite:

Vi o diabo de perto. ele trazia consigo o meu nome escrito em um papelzinho amassado. Pegou a minha mão devagar e pousou no meio das pernas dele. Fui corrompida pelo diabo seiscentas e sessenta e seis vezes. Ele me batizou no inferno e eu me enchi de esperança. Pressionei a minha testa na encruzilhada do rejunte do azulejo do banheiro até formar a marca de uma cruz invertida.

Gozamos muito em uma cama de nuvem com cheiro de arruda. Acordei na terra e o diabo não estava mais lá. Ele veio só para me mostrar o caminho do paraíso. Santo diabo

Depois da meia-noite

Ele tem cara de marginal e paga bem. Um dia desses ele pediu para me filmar nua. Eu disse que podia gravar um pouquinho só, mas exigi que ele recitasse uma poesia porque eu queria a voz dele por cima da minha imagem de pernas abertas.

Pedi tanto para ele passar a câmera em mim que eu só não trepei com ela porque a bateria acabou. Lembro de um close da caverna bem cabeluda na entrada e lisinha dos lados, a voz dele ecoando lá dentro. A cada verso eu distanciava ao máximo os joelhos um do outro.

Puta que é puta não beija na boca e tem hora marcada para acabar a ficção, mas naquele dia eu virei uma puta "punhetizada". Fiz um filme cult sem gozar no final porque o que ele queria mesmo era só o material bruto.

Passei a semana decorando a poesia que ele recitou e acabei de tocar uma chuvosa enquanto lembrava dele pelado movendo a câmera na minha frente. Sempre adormeci da metade para o final dos filmes poéticos, mas com certeza depois de assistir a minha rima safada ninguém vai dormir sem gozar

Diego Jesus